Retorno às aulas e novos desafios?

No último dia 11/11 estive com os colegas da Rede Municipal de Educação de Bauru para dialogar sobre como construir caminhos para ensinar no contexto da pandemia. O evento foi organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Docência para a Educação Básica, da UNESP, e coordenado pela Profa. Dra. Maria José da Silva Fernandes.

Questionamos: Quais perguntas nos fazemos nesse retorno às aulas presenciais?

Levantamos algumas questões:

  • Como mobilizar a disponibilidade para a aprendizagem?
  • Como promover as melhores condições de aprendizagem?
  • Como ajustar as propostas às necessidades de aprendizagem dos estudantes?
  • Como articular os conteúdos escolares ao repertório dos estudantes?
  • Como lidar com os diferentes ritmos de aprendizagem?
  • Como atender as diversidades na sala de aula?
  • Como garantir que as crianças se tornem progressivamente autônomas?
  • Como garantir que todos os estudantes aprendam?
  • Afinal, qual o sentido da escola para os estudantes? E do nosso trabalho?

Refletimos, ao final, que essas perguntas são as mesmas que nos fazemos nos diversos contextos quando nos propomos a um ensino ajustado às necessidades de aprendizagem dos estudantes.

Embora possamos considerar o contexto do retorno às aulas mais difícil em função do que herdamos do período de afastamento da escola, as (velhas ou novas?) perguntas são as que devem orientar nosso trabalho a favor da aprendizagem de todos.

O link do encontro está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=D4DROQs0ro0&t=2103s

Currículo, PPP e mediação pedagógica na sala de aula

Entre os dias 8 e 12 de novembro foi realizada a Semana da Educação do Município de São Bernardo do Campo – 2021. Estive no evento junto aos educadores da rede e convidados para conversar sobre “Currículo, PPP e mediação pedagógica na sala de aula”.

Destaquei que o currículo não deve ser pensado como uma lista de conteúdos a ensinar, mas como um itinerário de formação, um conjunto de aprendizagens que, por serem consideradas importantes num dado tempo e contexto, cabe à escola desenvolver. Quando falamos de currículo estamos nos referindo a um projeto de educação em torno do conhecimento.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é a referência nacional para a formulação dos currículos dos sistemas e das redes escolares dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A BNCC não é, portanto, o currículo das redes e escolas.

Conversamos sobre os desafios de, em diálogo com a BNCC, construir as propostas curriculares das redes de ensino e o projetos político-pedagógicos (PPP) das escolas de modo a orientar as necessárias mediações pedagógicas dos professores em sala de aula.

A palestra pode ser acessada no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=38-F0yvpyMo

Docência no ensino superior

Fui convidada para participar do Programa Conexão, promovido pela Pró-reitoria de Graduação da UTFPR,  para discutir sobre a formação do professor universitário, a dimensão pedagógica do trabalho docente e as principais questões/dilemas da prática pedagógica universitária.

Gosto muito dessa temática que nos obriga a questionar: A pós-graduação, ao formar mestres e doutores, os qualifica para a docência? As competências próprias de um pesquisador são suficientes para a atividade como professor? Quem sabe fazer e tem domínio de conhecimentos específicos sabe ensinar? Professores universitários precisam se preocupar com pedagogia?

A perspectiva da docência se estrutura sobre saberes próprios, intrínsecos à sua natureza e a seus objetivos, o que confere uma condição profissional para a atividade de professor (CUNHA, 2010).

Sim, a docência na universidade envolve, além dos conhecimentos específicos da área, conhecimentos pedagógicos de como planejar e conduzir o processo de ensino e aprendizagem, isto é, saber explicitar objetivos, organizar e selecionar conteúdos, compreender as necessidades dos alunos, definir metodologias e acompanhar a aprendizagem.

Cada área exige formas de ensinar e aprender específicas e cada conteúdo, porque contém uma determinada lógica, pressupõe uma forma específica de percepção, pensamento, reelaboração e ação.

A conversa será transmitida pelo canal da UTFPR no Youtube no dia 26/10, às 14h: https://www.youtube.com/watch?v=UV-wFEmqT2M

Formação em Diadema/SP

Comecei neste mês de outubro a formação de coordenadores pedagógicos, diretores e vice- diretores da rede municipal de Diadema. A proposta é refletirmos sobre as funções da equipe gestora e seu compromisso com a articulação do projeto político-pedagógico participativo (PPPP).

A rede compreende que o PPPP, enquanto norteador da ação do coletivo da escola, tem como diretriz principal a democratização da gestão e o fortalecimento do compromisso coletivo com o serviço público que a escola presta à comunidade do território e da cidade.

Sendo assim, a formação continuada dos gestores ocupa lugar privilegiado no planejamento das ações da Secretaria uma vez que valoriza o PPPP como expressão da participação popular, como forma de promover os direitos de aprendizagem e dar unidade às ações singulares que ocorrem em cada território.

Aprendizagem ao longo da vida

Ontem, 16/09, tive a oportunidade de participar de um Webinar promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos com patrocínio da Educação Corporativa Pecege.

O tema Lifelong Learning ou Aprendizagem ao Longo da Vida tem sido debatido pelas organizações e pela área de Gestão de Pessoas nos últimos anos. Entre nós, educadores, essa perspectiva já está consolidada desde o final da década de 60, quando o professor Paulo Freire discutia em suas obras a ideia de educação permanente: “Onde há vida, há inacabamento”.

A perspectiva da educação permanente se coloca como um princípio reorganizador de todo o processo educativo e tem como ponto de referência central a emergência da pessoa como sujeito da formação, tendo como base três pressupostos principais: o da continuidade do processo educativo, o da sua diversidade e o da sua globalidade.

As organizações comprometidas com o desenvolvimento dos profissionais reconhecem que parte importante da formação acontece no contexto de trabalho e que a elas cabe promover oportunidades de aprendizagem diversificadas.

Para quem quiser assistir, o Webinar está disponível no YouTube:  https://youtu.be/x5OSvO1CmqQ

Formação de professores/as da Diretoria de Ensino de Piracicaba (29/09)

No próximo dia 29/09 farei uma formação para os professores e professoras da área de Linguagens da Diretoria de Ensino de Piracicaba. O tema é bastante complexo: discutir os impactos da pandemia na aprendizagem dos estudantes.

Preparando essa intervenção, me deparo com o estudo “Cenário da Exclusão Escolar no Brasil – um alerta sobre os impactos da pandemia da Covid-19 na Educação”, lançado em abril de 2021 pelo UNICEF em parceria com o CENPEC Educação.

Segundo o estudo, em novembro de 2020, com escolas fechadas em razão da pandemia, quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes em idade escolar não tiveram acesso a aulas (remotas ou presenciais). A eles se somam outros 3,7 milhões que estavam matriculados, mas não tiveram acesso a atividades escolares e não conseguiram se manter aprendendo em casa. No total, mais de 5 milhões de meninas e meninos não tiveram acesso à educação no Brasil.

Os desafios para superar esse quadro são enormes. Só mesmo reunindo muitos professores para pensarmos juntos em alternativas para garantir o direito de aprendizagens desses estudantes.

A pesquisa na íntegra pode ser lida abaixo:

Formação para coordenadores/as pedagógicos/as

Minha tese, defendida em 2006, tratou da formação centrada na escola e da função do/a coordenador/a pedagógico/a como formador/a de professores/as. De lá para cá pude ampliar minhas leituras, participar de inúmeras bancas de defesa de dissertações e teses com foco na coordenação, mediar muitos encontros formativos e dialogar com muitos colegas que estão nessa função.

Enquanto organizava este curso a ser oferecido na Vila da Linguagem, lia uma dissertação para qualificação na UNESP/Araraquara. A pesquisa trata, entre outros aspectos, da formação continuada de coordenadores/as de um município paulista. Os profissionais entrevistados relatam que, além de não receberem formação para sua atuação no Centro de Formação da Secretaria de Educação, não encontram muitos cursos voltados à prática da coordenação pedagógica em outros espaços e contextos.

A formação de coordenadores/as como formadores/as de professores/as e articuladores/as do trabalho coletivo nas escolas pressupõe oportunidades de encontro e troca de experiências com seus pares, alimentados por leituras teóricas e problematizações sobre a prática.

Fica o convite para aqueles/as que estão e/ou desejam ocupar essa função. O link para inscrições é: https://viladalinguagem.com.br/nossas-especialidades/grupos-de-formacao/agenda/

E os saberes das crianças ensinam à professora…

Tenho preparado muitos cursos que tratam da formação de professores/as que pesquisam a própria prática e, invariavelmente, tomo como referência a tese da Tamara Abrão Pina Lopretti, defendida em 2013, na UNICAMP.

É uma das teses mais lindas e inspiradoras que já li, não só pela delicadeza do registro da pesquisa, mas pela temática tão bem explicitada no título: “E os saberes das crianças ensinam à professora: contribuições para o desenvolvimento pessoal e profissional docente”. Tamara se pergunta: As crianças ensinam à professora? O que elas acreditam ensinar à professora no contexto educativo da sala de aula? O que a professora acredita aprender nesse contexto? Que saberes as crianças mobilizam e produzem que potencializam o processo reflexivo docente acerca do seu desenvolvimento pessoal e profissional?

Participando da banca e lendo a tese eu aprendi muitas coisas sobre a especificidade do movimento de produção dos saberes docentes que se dá no intenso diálogo/confronto com os saberes discentes. Dos muitos enunciados das crianças contando para Tamara o que eles achavam que ensinavam à professora, destaco um dos meus preferidos:

Por exemplo, professora, alguns professores, eles só querem… Por exemplo, você tem que fazer isso, isso e isso, e não tem tempo pra nada. Terminou uma lição, tem que fazer outra, mas eu acho que a gente te ensinou nisso: quando acabava uma lição, no começo, já ia pra outra rápido, mas aí você foi mudando e não ficava falando mais “Acaba uma lição, vai pra outra rápido”. A gente podia pegar um livro pra ler, conversar, fazer com calma e depois ir pra um outra lição… Você não falava “Mais rápido, rápido”, você espera todos acabarem e só depois que todo mundo acabou, passa outra lição. (Renan)

Vale ler e aprender com a Tamara e suas crianças consultando o texto completo:

http://repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/253918

Professor/a-pesquisador/a na escola

Ontem tive a oportunidade de mediar uma conversa sobre a pesquisa de professores/as, um dos temas que mais me interessam, em um curso de extensão da UNICAMP coordenado pelo Guilherme do Val Toledo Prado e Rosaura Soligo. Saí deste encontro com essa sensação: “Quanto mais a gente ensina, mais aprende o que ensinou!”.

Deste encontro participaram muitos professores/as-pesquisadores/as da educação básica que têm uma postura investigativa diante da complexidade do cotidiano escolar. O que entendo como professores/as-pesquisadores/as?

Eu e Guilherme, em um artigo publicado na Revista Educar (2007), tentamos definir como aqueles/as professores/as que

interrogam a sua prática, investigam, documentam o seu trabalho, analisam, fazem leituras, dialogam e constroem uma forma de compreensão e interpretação da realidade a partir da sua própria experiência.

Posteriormente, em um artigo publicado na Revista Educação da PUC-Campinas (2010), sistematizamos as características da pesquisa do/a professor/a:

  • Ser construída em torno de uma questão/dúvida decorrente da prática na escola (uma questão para a qual intencionalmente buscamos respostas, soluções, alternativas);
  • Estabelecer um diálogo com interlocutores – ‘outros significativos’ – que trazem contribuições para a compreensão da questão que se investiga: autores que estudaram o assunto, colegas de trabalho e demais profissionais com os quais se discute, todas as pessoas que ajudam a pensar etc.;
  • Ser organizada a partir de algum tipo de registro que permita ao professor aprender com e contra a experiência, ou seja, compreender e encontrar respostas, soluções, alternativas para a questão;
  • Estabelecer relações e produzir uma reflexão pessoal que contemple o percurso percorrido, desde a definição do que se pretendia investigar até os resultados, ainda que provisórios ou parciais;
  • Resultar num produto final a ser socializado de modo a incorporar sugestões e críticas de outros profissionais da educação e contribuir com o projeto de trabalho da escola.

E por que pesquisa dos/as professores/as da educação básica é importante? Ela é fundamental para:

  • valorizar a produção dos/as professores/as, ou seja, valorizar o que pensam, o que fazem e pensam sobre o que fazem;
  • sistematizar os conhecimentos e saberes produzidos nas escolas;
  • legitimar esses conhecimentos e saberes;
  • compreender melhor a realidade em que atuam e intervir na escola com mais propriedade;
  • teorizar sobre a prática, interpretar e questionar a teoria e a pesquisa de outros.

Na aba Publicações você encontra muitos artigos a esse respeito. Para começar sugiro:

A quem pode interessar?

Hoje começo uma nova experiência com a escrita: um blog! Neste espaço vou reunir reflexões e registrar experiências e aprendizados da vida profissional como professora, formadora de professores e pesquisadora. A quem pode interessar? Escrevo pensando nos meus alunos e ex-alunos, colegas professores e pesquisadores do campo da Educação, bem como profissionais de outras áreas interessados nos processos formativos que acontecem em múltiplos espaços. Fica o convite para me acompanharem!